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Rio Tietê | Mergulhando em Riscos Tóxicos

Confira o arriscado dia a dia de Leonídio, o mergulhador do rio Tietê que remove entulhos para que a água continue fluindo.

O Rio Tietê praticamente atravessa o estado de São Paulo de leste a oeste, marcando principalmente a geografia urbana da capital paulista. A origem do nome do Rio Tietê é tupiniquim e significa água (ti) verdadeira (eté). Ao longo dos anos, essa verdade se transformou, adaptando-se às condições que lhe foram impostas. Se até meados da década de 1930 o Rio Tietê era usado pelos paulistanos para pescar, nadar e participar de competições náuticas de clubes de regata, hoje ele se curva aos efeitos colaterais da metrópole superpopulosa que a capital se tornou, suportando o despejo diário de cerca de 700 toneladas de dejetos pessoais e industriais.

Ainda que seja um ambiente tóxico – e talvez por isso mesmo – o Rio Tietê precisa ser submetido a um importante trabalho de limpeza, realizado há mais de 20 anos por José Leonídio Rosendo dos Santos, também conhecido como o mergulhador do Rio Tietê.

O Desafio de Mergulhar no Rio Tietê

Acontece que, antes de seguir da capital para o interior, as águas do Rio Tietê correm por uma grade em uma barragem, criada para não deixar passar o lixo. E como a quantidade de lixo é muito grande, não é raro que essa grade fique obstruída. Nesse caso, é preciso remover o lixo para que a passagem da água continue fluindo sem comprometer a turbina da barragem. É aí que Leonídio entra, enfrentando uma série de riscos ao mergulhar no rio para retirar o entulho, além de consertar balsas, tirar fotografias, vistoriar e auxiliar obras, soldar, coletar amostras e procurar equipamentos perdidos.

Em seu trabalho, Leonídio chega a submergir até 6 metros de profundidade em uma água onde nada se enxerga devido ao grau de sujidade. Ao longo dos anos, ele se especializou em reconhecer objetos com as mãos, habilidade que já lhe permitiu retirar do Rio Tietê toneladas de lixo e entulho, eletrodomésticos, uma infinidade de pneus, carros, armas e até bolsas com conteúdos surpreendentes – de dinheiro a corpos em decomposição.

Proteção Necessária

Devido à toxicidade do Rio Tietê, a legislação exige que o trabalho em suas águas jamais exceda 4 horas. Leonídio também precisa usar um capacete de fibra de carbono com câmera acoplada, passar vaselina nas mãos e luvas de proteção para garantir impermeabilidade, além de vestir uma roupa impermeável em PVC, que se molda aos punhos e ao pescoço. Para que a proteção seja garantida, essa roupa precisa ser substituída no máximo a cada seis meses. Na ocorrência de rasgos por conta de objetos perfuro-cortantes presentes no rio, Leonídio deve sinalizar imediatamente para voltar à superfície, evitando o contato direto com a água. Do lado de fora, uma equipe de apoio de 5 a 6 profissionais acompanham o tempo, a pressão e a temperatura.

Esses cuidados são responsáveis por Leonídio jamais ter pego doenças em mais de duas décadas de trabalho, apesar do altíssimo grau de contaminação que o cerca. Certa vez, Leonídio teve de mergulhar numa estação de tratamento de esgoto e, comparando-a ao Rio Tietê, ele relatou não haver muita diferença.

Periculosidade

Além do seu salário, Leonídio recebe 30% a mais por adicionais e periculosidade, além de um excedente pelo desgaste orgânico.

Por conta de sua sujidade, hoje o Rio Tietê tem entre 0 e 3,5mg de oxigênio por litro. Para que venha a se tornar um rio saudável e fértil, é preciso que suas águas carreguem pelo menos 8mg de oxigênio. Apesar disso, Leonídio, que já conhece o rio intimamente, diz que um dia ele já foi bem pior. Um de seus desejos é um dia ver o rio limpo, uma previsão que se estende para além de 2030. Ainda assim, a bravura da natureza está ali às margens, lembrando que tudo é possível, enquanto garças ainda sobrevoam o Rio Tietê, famílias de Capivaras ainda habitam alguns de seus trechos e até jacarés distraídos já foram vistos sendo levados e resistindo à toxicidade no correr de suas águas.

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