Dia a Dia

Segurança e Paramentação em Hospitais – Parte 2

Continuando nosso assunto sobre paramentação e segurança em hospitais, vamos falar de transmissão de agentes e prevenção de infecções.

Segurança em Hospitais: Transmissão por gotículas

Distúrbios como a Rubéola e a doença meningocócica são transmitidos por gotículas. Essas gotículas podem ser expelidas durante a fala, tosse, respiração e em procedimentos como a aspiração. Somente atingem um metro de distância e o perigo de contaminação cessa quando atingem o chão ou qualquer outra superfície.

Para prevenir a transmissão por gotículas, todos que entrarem no quarto do paciente devem usar máscaras cirúrgicas, sempre de uso individual, descartadas ao deixarem o quarto. Recomenda-se que não se transporte o paciente, mas se for indispensável, ele também deve usar máscara cirúrgica durante o transporte.

Segurança em Hospitais: Transmissão por Aerossóis

Diferentemente das gotículas, algumas partículas eliminadas na respiração, fala ou tosse permanecem no ar por horas, podendo inclusive chegar por corrente de ar a outros ambientes, como um quarto adjacente. Entre os poucos micro-organismos que conseguem sobreviver nessas partículas, destacam-se o Bacilo de Koch, transmissor da tuberculose, o vírus do Sarampo e o Varicela-Zoster, que transmite Catapora e Herpes-Zoster.

Nesse caso, a máscara cirúrgica não é suficiente para evitar o contágio. É necessário e obrigatório que todos os profissionais que prestarem assistência ao paciente usem a máscara tipo PFF2 (Peça Facial Filtrante II), também conhecida como Máscara N-95. Ela deve ser colocada antes de entrar no quarto e retirada somente após a saída.  A N-95 não é descartável, mas seu uso é individual. Portanto, cada profissional é responsável por sua conservação e armazenamento. Recomenda-se guardá-la em local seco, acondicionada em saco de papel ou papel toalha. Nunca em sacos plásticos. A máscara deve ser substituída caso esteja danificada ou se o profissional tiver dificuldade de respirar com ela.

O transporte desse paciente, como de costume, deve ser evitado. Mas se ele precisar ser mudado de quarto, deve usar a máscara cirúrgica no transporte.

Segurança em Hospitais: Micro-organismos Multiresistentes

São micro-organismos de flora interna, com diferentes perfis de sensibilidade bacteriana. Deve-se obedecer aos mesmo procedimentos da transmissão por aerossóis, como uso de luvas e aventais e isolamento do paciente, além de ser obrigatório o capote e cabelos presos, dentro de gorros ou toucas, óculos de proteção quando na presença de secreções e máscara descartável na presença de foco pulmonar.

Os profissionais que atenderem esses pacientes devem lavar as mãos com clorexidina degermante a 2%, antes e depois da assistência.

Acompanhantes desses pacientes dificilmente são liberados e, caso isso ocorra, eles não podem circular pelas enfermarias e somente será permitida sua circulação nos corredores em caso de extrema necessidade.

Segurança em Hospitais: Prevenção de Infecções Relacionadas a Cateter Vascular Central

Para evitar a contaminação de dispositivos venosos centrais e a infecção da corrente sanguínea, deve-se:

Priorizar a punção periférica e minimizar o uso de CVC.

Retirar o quanto antes o acesso venoso. Deve ser mantido somente se for necessário o uso de medicação endovenosa.

Evitar punção nas veias jugular – especialmente em pacientes com traqueotomia – e femoral, que aumentam o risco de infecção, priorizando-se a veia subclávia para punção. A punção femoral somente deve ser utilizada em casos de hemodiálise, para evitar trombose.

Antes de inserir o cateter, deve-se realizar assepsia cirúrgica. O médico deve escovar as mãos com PVPI ou clorexidina degermante 4%, que também deve ser usado na degermação da área a ser puncionada.

A paramentação cirúrgica do médico deve ser composta de avental cirúrgico, luvas estéreis, gorro e máscara. A do paciente deve considerar campo cirúrgico e campo fenestrado estéreis.

O cateter deve ser fixado com ponto cirúrgico e o curativo deve ser feito com gaze e micropore. Não se deve usar filme transparente nas primeiras 24 horas.

Para manutenção, deve-se usar sistema fechado de infusão e limpar o conector do sistema de infusão com álcool a 70%, antes de cada acesso. A cada três dias, os conectores, equipos e circuitos de infusão devem ser trocados. A troca deve ocorrer a cada uso em caso de infusão de lípides, sangue ou derivados e a cada 24 horas no caso de infusão de nutrição parenteral.

Em caso de hemocultura coletada por cateter, deve-se parear com punção periférica e lavar o cateter com soro fisiológico após a coleta.

Segurança em Hospitais: Prevenção de Infecção do Trato Urinário

Cateterismo urinário é necessário em pacientes com obstrução urinária, que venham a realizar cirurgia na bexiga, que precisam fazer um controle rigoroso de diurese, apresentem déficits cognitivos, incontinência, deficiência física ou que tenham passado por lesões medulares, bexiga neurogênica ou outros problemas neurológicos.

Mesmo com assepsia correta na implantação do cateter vesical e uso do sistema fechado, estima-se que cerca de 50% dos pacientes com esse cateter podem apresentar urina colonizada. Também é um fato que 80% das infecções de trato urinário (ITU) associam-se diretamente ao uso do cateter. Após 48 horas de cateterização, o risco de bacteriúria aumenta 5% por dia de permanência do cateter. Por isso, recomenda-se sua remoção o quanto antes.

Antes de inserir cateteres vesicais, é necessário higienizar a região perineal com água e sabão. O profissional que for fazer a inserção deve fazer a degermação das mãos com solução de PVPI ou clorexidina degermante. A técnica asséptica deve ser realizada durante todo o procedimento, assim como a antissepsia da região perineal, com solução aquosa ou degermante de PVPI. Só então o cateter deve ser fixado sem que haja tração e permitindo que a urina drene por gravidade. A bolsa coletora deve ser esvaziada regularmente para evitar o refluxo.