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Atualização da NFPA 70E: saiba o que mudou

Com o objetivo de oferecer mais segurança aos profissionais, as normas regulamentadoras estão sempre passando por alterações. Por isso, hoje preparamos um post para explicar tudo o que mudou com a atualização da NFPA 70E. Primeiro, vamos relembrar qual a função principal desta norma?

A NFPA 70E tem como objetivo estabelecer práticas de segurança para a proteção dos trabalhadores envolvidos em serviços com eletricidade. Nessa área, há vários riscos, mas um dos principais é o de arco elétrico. A NFPA 70E ajuda a promover ambientes mais seguros para esses trabalhadores e, com entendimento e aplicação adequados, ajuda a reduzir a frequência e a gravidade desses acidentes.

Principais mudanças

A última atualização da NFPA 70E reforça o conceito de um programa de segurança elétrica e enfatiza a importância de uma hierarquia de controles de risco. A edição de 2018 continua defendendo a implantação de programas e procedimentos relacionados à segurança, e ainda exige vestimentas e EPIs com classificação de arco elétrico sempre que for executado um trabalho com equipamento energizado. Trabalhar desenergizado ainda é a maneira mais adequada para a eliminação desses perigos.

Responsabilidades do fabricante e fornecedor dos EPIs

A edição mais recente da NFPA 70E agora exige que os fabricantes e fornecedores de EPIs demonstrem atendimento à norma de uma dessas três maneiras:

  • Autodeclaração com uma Declaração de Conformidade do Fornecedor
  • Autodeclaração sob um sistema de controle de qualidade registrado, teste realizado por um laboratório credenciado, além de uma Declaração de Conformidade do Fornecedor.
  • Certificação por uma organização credenciada e independente

 

Arco elétrico

O risco do arco elétrico pode existir quando condutores energizados ou peças de um circuito são expostos, ou até mesmo quando estão em locais fechados. Neste cenário, a interação de uma pessoa com o equipamento pode causar um arco elétrico.

A NFPA 70E afirma que uma análise do risco de arco elétrico deve ser realizada para determinar o limite de aproximação seguro em relação ao risco de arco elétrico, a energia incidente a uma determinada distância de trabalho e os EPIs que os trabalhadores devem utilizar.

Ao realizar essa análise, devem-se considerar dois fatores principais: a parametrização dos dispositivos de sobrecorrente e o tempo para abertura do circuito. Manutenções impróprias ou inadequadas no sistema de proteção podem acarretar em um maior tempo de abertura do dispositivo de sobrecorrente, aumentando o nível de energia incidente.

A análise deve ser atualizada sempre que ocorrerem alterações na instalação elétrica.

Características das vestimentas e EPIs para arco elétrico

A NFPA 70E determina que, caso uma atividade seja executada dentro de uma região com risco de arco elétrico, um dos métodos a seguir deve ser aplicado para seleção da vestimenta adequada e dos demais EPIs:

1) Estudo de energia incidente

Deve determinar o nível de energia incidente (em cal/cm2) ao qual um trabalhador está exposto, devendo ser formalmente documentado pela empresa. Esse nível de energia deve ser baseado na distância de trabalho entre a face e a região torácica do empregado, e o respectivo ponto de origem do arco, de acordo com a tarefa a ser executada. As vestimentas resistentes a arco e outros EPIs devem ser utilizados pelo empregado com base no nível de energia incidente calculado.

2) Categorias de risco

Este método permite a aplicação das tabelas 130.7(C)(15)(a), 130.7(C)(15)(b) e 130.7(C)(16), disponíveis na própria norma, para a seleção e a utilização de vestimentas resistentes a arco e outros equipamentos de proteção – que nós vamos explicar melhor adiante.

EPIs para arco elétrico

As vestimentas de proteção (EPIs) são constituídas por tecidos especiais, que têm como objetivo evitar que os trabalhadores sofram queimaduras de terceiro grau. Em 1999, a American Society for Testing and Materials (ASTM) definiu um indicador denominado ATPV (Arc Thermal Protection Value) para medir o desempenho dos tecidos contra arco elétrico.

ATPV é definido na norma ASTM F 1959-06 como a energia sobre um material que resulta em uma probabilidade de 50% de transferência de calor que poderá causar uma queimadura de segundo grau na pele humana, baseado na curva de Stoll (curva utilizada para prever o aparecimento de uma queimadura de segundo grau).

Este valor é medido por testes específicos, expondo o material aos arcos elétricos em diferentes condições de corrente e tempo de exposição. O indicador ATPV é dividido em cinco categorias de risco. A NFPA 70E determina a utilização de EPIs com as seguintes características:

  • Vestimentas para arco elétrico
    Um fator importante e que deve ser levado em consideração é a fácil e rápida remoção por parte do usuário. Toda a vestimenta resistente a arco elétrico, incluindo o capuz carrasco, deve estar adequada ao nível de energia incidente.

 

  • Proteção para a cabeça
    Uma balaclava resistente a arco deve ser utilizada em conjunto com um protetor facial quando a região traseira do pescoço estiver exposta ao risco de arco elétrico. Pode ser utilizado um capuz carrasco em substituição ao protetor facial e a balaclava. O capuz carrasco deve ser utilizado quando a energia incidente exceder 12 cal/cm2.

 

  • Proteção para a face
    O protetor facial deve ter uma classificação adequada ao nível da energia incidente ao qual está exposto. Protetores faciais sem nenhum tipo de proteção para arco não devem ser utilizados. A proteção para os olhos, por meio de óculos de segurança, deve sempre ser utilizada sob o protetor facial.

 

  • Proteção para as mãos
    Luvas de couro ou luvas resistentes a arco devem ser utilizadas sempre que for requerida proteção contra arco elétrico. No caso das luvas de couro, estas são fabricadas inteiramente de couro com espessura mínima de 0,7 mm, não possuindo forro ou sendo revestidas com material não inflamável e não fundível. Luvas de couro que atendem a essas características têm demonstrado suportabilidade de até 10 cal/cm2, mas é necessário cautela.

 

  • Proteção para os pés
    Botas de couro fornecem algum tipo de proteção para os pés contra arco elétrico e devem ser utilizadas para valores de energia incidente superiores a 4 cal/cm2.

Uma forma de avaliar se uma tarefa possui o risco de gerar um arco elétrico é conhecer o escopo da atividade a ser realizada. E para facilitar a escolha dos EPIs a serem utilizados, a norma apresenta duas tabelas em que são dados exemplos de atividades que podem ocasionar um arco elétrico, sendo que essas atividades estão relacionadas com o nível de tensão e a corrente de curto-circuito da instalação.

São elas:

  • Tabela 130.7(C)(15)(a), que trata de equipamentos de corrente alternada;
  • Tabela 130.7(C)(15)(b), que trata somente de equipamentos de corrente contínua.

Após a identificação da categoria do risco, deve-se aplicar a tabela 130.7(C)(16) da NFPA 70E para determinar os requisitos das vestimentas de segurança e outros EPIs requeridos de acordo com a tarefa a ser executada.

E aí, o que achou do conteúdo? É sempre bom estarmos atualizados para garantir maior segurança, não é mesmo? Continue acompanhando nosso blog para não perder nenhuma novidade. Até mais!