Especialistas

O impacto da Covid-19 na área de segurança: qual é o novo normal?

#OpiniãoDoEspeciaista

O ano é 2019. O mundo foi pego de surpresa. O vírus vindo da China, que de início teve pouco impacto no nosso continente, chegou com força total no começo de 2020. Desde então, o novo Coronavírus tem sido o protagonista na tomada de decisões de diversas pessoas e empresas.

Está sendo preciso se reinventar para lidar com uma crise de escala global. A área de Saúde e Segurança do Trabalho, por exemplo, tem se disponibilizado a readaptações constantes para manter ao máximo o bem-estar de todos. Há quem diga que o cenário mundial desse setor nunca mais será o mesmo.

Mas afinal, qual é a opinião de quem está no cerne do problema, pensando e lidando com medidas preventivas diariamente?

Para responder à essa pergunta, procuramos o especialista Eduardo Moreira, engenheiro eletricista da DuPont. Continue a leitura e veja qual é a opinião dele sobre a pandemia.

 

O que muda na nossa indústria e por que dar atenção aos perigos combinados?

Com a chegada da Covid-19, começa a existir um cuidado que vai muito além da área de atuação de cada setor, é o chamado perigo combinado. Em locais onde se identificavam situações muito especificas – como na minha área direta de atuação, que nos protegemos de perigos do fogo, arco elétrico e calor – o perigo dobrou. Agora, existe o cuidado de também proteger os funcionários de perigos químicos, como o vírus. Nos reestruturamos para pensar na segurança e gerar soluções de forma combinada. A pandemia tem mudado a forma com que os engenheiros de segurança enxergam os EPIs e as tecnologias.

“O futuro é pensar cada vez mais em soluções combinadas para garantir uma segurança integrada.”

 

Em escala global, existem muito mais funcionários trabalhando no sistema home office atualmente. No que isso impacta o setor?

A forma remota nos faz repensar em cada um dos nossos locais na empresa e também em qual é a relação das pessoas dentro de casa. Aqui, estamos falando mais de riscos ergonômicos.

 

No quesito de atualizações e cursos, qual é a expectativa de mudanças?

A grande mudança estará focada em como os profissionais vão se atualizar. Vê-se que é possível aprender dentro da própria casa e que o espaço em que estão não torna a educação menos eficaz. 

“Os profissionais continuarão a se atualizar, ainda que de forma remota”

 

Quanto a área de certificações: o que muda?

Em relação a isso, acho que estamos num momento bastante ímpar. Tem havido um grande movimento governamental para tirar a certificação do CA, por exemplo. Essa MP já voltou, já estamos na obrigação novamente e existem especulações de que isso venha a mudar de novo. Ou seja, o futuro ainda é um pouco incerto, mas atualmente, as nossas certificações são não só validas e como obrigatórias.

Especificamente com as NRs, – e aqui não me refiro apenas aos impactos da Covid-19 – também existe uma movimentação para que sejam revisadas. Na minha opinião essa é uma excelente medida, porque se considerarmos a NR6 e a NR10, por exemplo, atualmente não tem como tipificar luvas para proteção de arco elétrico. Essa é uma das modificações que a gente está buscando.

 

E quanto a profissionais alocados em escritórios?

Hoje em dia, já existem regulamentações para a troca de ar, por exemplo, para reduzir a quantidade de patógenos presentes no ambiente. Para os próximos meses, esse tema ganhará muito mais atenção.

Em novos projetos de engenharia, evidentemente, a expectativa é garantir áreas que sejam muito mais abertas, que haja uma troca realmente significativa do ar.

“Tudo será pensado visando diminuir a probabilidade de contágio.”

 

E os trabalhadores que ficam nas fábricas, o que muda?

O ponto crucial é analisar o quão próximos eles estarão uns dos outros porque o objetivo aqui é garantir que um colaborador não passe um patógeno para o outro. Nesse caso, precisam usar máscaras e usar da forma correta. Elas, certamente, serão grandes aliadas no dia a dia deles!

Voltando ao assunto lá do começo da entrevista, temos que levar em conta os riscos combinados. Eu estou numa área de perigos de calor durante o período que estamos vivendo? Usarei uma máscara para o vírus, mas ela precisa ser pensada com um material que não derreta, evidentemente. É preciso ter estratégia.

Os profissionais tem que estar bastante atualizados não só sobre um tipo de risco, mas pensar em todos que podem existir na área, de forma integrada.

“Temos que observar o risco de forma global, obtenham uma opinião multidisciplinar.”

 

Eduardo é engenheiro eletricista com ênfase em sistemas elétricos de potência da DuPont. Trabalha há 5 anos na área relacionada a testes térmicos e é atuante dos comitês regulatórios do Brasil e da Argentina. Anteriormente, trabalhou durante 6 anos dentro da indústria como engenheiro de projetos.