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As forças que mudarão o mundo pós-pandemia

Termo que ganhou destaque com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o “novo normal” foi cunhado, na verdade, a partir de 2007 quando o mundo passou por uma grande crise financeira que levou a uma recessão global. Já na época a expressão significava a previsão de que a economia e, por consequente, a sociedade nunca mais seriam as mesmas – e evoluiriam após impactos negativos tão drásticos.

Uma nova crise chegou, uma crise sem precedentes, que uniu um grave problema de saúde pública ao nosso estágio de avanço tecnológico – o que acaba afetando de forma muito mais danosa a economia. Neste novo momento, basta olhar ao redor para perceber que mudanças de comportamento da sociedade já estão claras.

Por exemplo, a preocupação geral das pessoas com a higiene nos ambientes domésticos e públicos. É claro que, com o passar do tempo e, principalmente, com o surgimento de vacinas, a tendência é que haja uma acomodação dessa preocupação. É difícil imaginar que, daqui a cinco anos, todos usarão máscaras nas ruas – ainda assim, muitos ainda vão continuar higienizando sacolas e embalagens do mercado; haverá mais álcool em gel em locais públicos; a sociedade estará mais atenta a futuros riscos biológicos.

Apesar de, individualmente, termos nossas convicções e sonhos sobre o futuro da humanidade pós-pandemia, quais são, realmente, as principais forças que têm atuado na sociedade hoje e que indicam os caminhos que os indivíduos e organizações percorrerão até chegarem ao novo normal?

Podemos destacar cinco grandes tendências que transformarão para sempre o segmento industrial/empresarial no mundo depois desta crise. A primeira delas é, como explicamos acima, o digital como motriz de demandas nas cadeias de valores. Os dados mais recentes da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicação) apontam que o uso da internet no país aumentou entre 40% e 50% na pandemia, o que traz novos desafios e novas soluções.

Já estávamos nesse caminho nos últimos anos, mas a pandemia trouxe um salto na efetiva adoção de tecnologias que antes apenas estavam à nossa disposição. Os grandes exemplos são as reuniões e as compras, sejam no ambiente de trabalho, sejam no doméstico: essas experiências transmutaram-se rapidamente do físico para o digital em questão de meses. O mundo estará mais digital do que nunca e não vai retroagir.

O segundo grande movimento é o da força de trabalho. A pandemia escancarou um problema que já era nítido no país: a falta, no mercado, de profissionais especializados na área de marketing digital. A crise também mostrou a todos o valor do tempo: quanto perdemos dele em nossos deslocamentos casa-trabalho?

O teletrabalho desponta neste momento, solução que trará um novo desafio: como as empresas vão manter suas culturas organizacionais? Como impedirão que o espírito de equipe se corroa, agora que os ambientes face-to-face vão se tornar cada vez mais raros? E em que tudo isso implicará na produtividade de empregadores e empregados?

A terceira tendência é a da expectativa de resiliência. As empresas terão cada vez mais preocupação com a saúde financeira de seus parceiros em suas cadeias de valor. Um parceiro forte, seja na compra ou na venda, garante elos resistentes a novas crises. Dentro dessa força também se destaca a priorização de investimentos. No curto prazo pós-pandemia, as empresas deverão investir menos em negócios e portfólios periféricos e deverão concentrar os investimentos nos core businesses.

A incerteza regulatória vem como a quarta força. Nas crises, as nações tendem a dotar políticas mais protecionistas. Com isso, o investimento torna-se mais arriscado, o que, consequentemente, volta a afetar a atividade econômica. Tudo isso está atrelado à demanda dos consumidores e de como reagirão aos novos movimentos que surgem no mercado.

Por fim, a quinta e última constatação: a evolução da pandemia ou a involução do vírus. Países já retornam às atividades aos poucos, e as nações mais ricas investem alto em preparação para futuras crises de saúde pública (com a aquisição de equipamentos de stand-by e compra de estoques virtuais, por exemplo). O Brasil e países da região foram impactados posteriormente e devem sair por último desta pandemia. O que se tem visto é que, apesar de tudo, já estamos vivendo um declínio do impacto do vírus sobre a atividade econômica. A retomada é lenta, mas bem menos ruim do que se imaginava.

Essas cinco forças mostram que as empresas precisam estar muito bem posicionadas para saírem desta crise com robustez. O que se tem visto é que, por mais destruição que o novo coronavírus tenha causado em todos os âmbitos de nossas vidas, a pandemia também acelerou processos positivos para a humanidade, na ciência, na tecnologia, no trabalho, na economia e, claro, nas relações humanas.

 

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Em uma próxima oportunidade, abordarei como a DuPont tem agido frente à pandemia, alguns desafios enfrentados e as soluções encontradas, tanto interna quanto externamente. Enquanto isso, convido a todos para acompanhar algumas de nossas ações no nosso Blog Falando de Proteção.