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E sobre este ano, o que ficou e o que levamos?

Escrito por Ariana Bottura

 

Um ano inesquecível aproxima-se do fim e se por um lado as vacinas ainda estão em fase de estudos e a segunda onda de contágio já vem atacando países que enfrentaram a doença antes, por outro começamos a observar um movimento de retomada da economia no Brasil.

Os índices têm mostrado que o impacto da pandemia na retomada econômica do país deverá ser menor do que as previsões iniciais. As projeções do PIB (Produto Interno Bruto) vêm sendo revistas constantemente para baixo. Relatório de Mercado Focus, por exemplo, previu no final de outubro que o PIB de 2020 deverá ter queda de –4,81%. É a primeira vez no ano que a expectativa atinge marca menor que –5%, lembrando que o pico foi de –6,51%.

O país encerrou setembro com recorde de desempregados (13,5 milhões de pessoas, com taxa a 14%), segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Apesar disso, a curva do aumento vem desacelerando de maio para cá. Outro cenário, mais otimista, é do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que aponta crescimento do número de empregos formais por dois meses consecutivos, chegando a 249 mil positivos em agosto. Segundo o Caged, a construção civil, termômetro da economia, tem puxado a alta.

Outro levantamento, da CNI (Confederação Nacional da Indústria), aponta recorde de empregos no segmento de construção civil em setembro nos últimos oito anos. A própria CNI revelou que 68% das empresas estão com dificuldade para comprar matéria-prima no mercado nacional.

Esses dados validam o que abordamos em artigos anteriores, sobre os impactos da pandemia na sociedade, e em específico na indústria, trazendo mudanças do macrocenário econômico, passando por estratégias internas e chegando à nossa vida como profissionais.

Para citarmos alguns exemplos claros, o home office possibilitou a todos um melhor entendimento de produtividade; os agora comuns “calls” mostraram que uma reunião pela internet não é tão fria assim; empresas têm integrado mais seus departamentos; e nunca foram feitos tanto webinares para o treinamento de profissionais.

No segmento de proteção pessoal, criou-se uma maior conscientização sobre a importância do EPI (Equipamento de Proteção Individual). A sociedade passou a discutir o assunto, que se tornou evidente a partir de agora ao consumidor B2C. É incrível como um conceito tão importante – o de que o EPI é a última barreira de proteção do trabalhador – passou a ser compartilhado no dia a dia das pessoas, que agora também entendem que um item de proteção precisa estar em comunhão com outros procedimentos, como lavar as mãos e ficar a certa distância de outra pessoa.

Na indústria, isso também tem sido bastante claro. Dos líderes aos trabalhadores de operação das fábricas, todos temos refletido mais sobre o uso adequado de EPIs, fatores multirrisco, melhores tecnologias e normas de segurança.

Neste momento de transformação, vemos que as empresas reagiram de formas muito diferentes. Muitas não sobreviveram. Outras tiveram que se reinventar. Ou mesmo reaprender. Assim, novas oportunidades se mostraram e paradigmas foram quebrados. Ações antes raras, como a união de forças entre empresas concorrentes e a doação maciça de produtos, tornaram-se não só comuns, como também extremamente importantes para o combate à pandemia.

Na DuPont não tem sido diferente. Foi assim que decidimos priorizar algumas iniciativas e inovações focadas às novas demandas geradas com o novo normal. Em abril, por exemplo, lançamos o #TyvekTogether, um inovador modelo de negócio para agilizar a produção de roupas de proteção contra o coronavírus. Ampliamos nossa série de treinamentos online para profissionais envolvidos no segmento de proteção pessoal e lançamos máscaras de proteção feitas com Nomex® para trabalhadores expostos a fogo e arco elétrico em Eletricitárias e Indústrias de Oil&Gas

Outra decisão tomada em reação rápida ao novo contexto foi a priorização e adaptação de iniciativas existentes e a utilização da tecnologia e da nova era digital para ampliar e incluir mais temas e regiões. A manutenção e ampliação do Prêmio DuPont de Segurança e Saúde do Trabalhador são exemplos claro disso. Nesta edição, a premiação vai reunir projetos não apenas de nossos clientes no Brasil, como de países da América Latina, além de premiar o melhor projeto de proteção contra a Covid-19 na indústria brasileira.

Neste fim de ano, temos uma excelente oportunidade para refletirmos sobre o que passou, o que aprendemos e o que levamos como planejamento para 2021. O que deixou de fazer sentido em nossas vidas? Quais mudanças devem ser mantidas? Quão resiliente a indústria vai sair deste momento? Que aprendizados levamos em relação a nossa responsabilidade social nesta pandemia?

Enfim, é hora de também revermos nossas projeções pessoais e profissionais. Que, assim como os índices econômicos, elas sejam menos pessimistas do que no começo desta pandemia.